Em casa, tirei a carne do pote e preparei o almoço. Reparei que estava com um cheiro estranho. Fiquei em dúvida se colocava na mesa ou não. Por dim decidir por, uma vez que estávamos com bastante fome.
[[Comer a carne]]
[[Não Comer a carne]]Nessa casinha tenho paz, não preciso me preocupar com as goteiras ou com os vizinhos. Aqui temos uma condição de vida melhor.
Fico agradecida do seu Manuel ser meu esposo.
Carolina continou a escrever poemas e poesias até o fim de sua vida...
[[Introdução]]Aceitei de imediato. Manuel que sempre fora muito gentil comigo e com meus filhos, me ajudava nas horas de aperto e sempre me deixava feliz, era a companhia que eu precisava para a minha vida.
Nos casamos e fomos morar numa casinha de alvenaria, longe de toda a miséria e preconceito que eu passava na favela.
[[A vida depois do casamento]]Decidi aceitar a proposta, pois enxergo nela a oportunidade de proporcionar uma vida melhor para mim e meus filhos, além de realizar o sonho tão acalentado de ter uma casa de alvenaria. É uma chance única de transformar nossas vidas e construir um lar sólido e acolhedor, onde poderemos construir nossos sonhos e alcançar a felicidade plena.
[[Vida pós publicação do diário]]Pensei em meus filhos e como eles ficariam felizes em comer um pouco de carne. Aceitei a oferta.
[[Voltar para casa]]Minha filha não melhorou. Minha vizinha disse que o remédio que dei para a Vera era o errado e isso fez com que ela piorasse. Preciso cuidar dia e noite de Vera Eunice, além de ter que sair para conseguir dinheiro para sustentar a casa. Não tenho mais tempo para escrever, e asssim decido não dar continuidade ao meu diário. Preciso focar nos meus filhos e na nossa sobrevivência, quem sabe um dia, quando tudo se resolver, eu volto a escrever.
[[Introdução]]Me recuperei da intoxicação e para compensar o tempo perdido comecei a intensificar minha rotina de trabalho e fiquei sem tempo para escrever.
[[Diário: 3 de Agosto]]A caixinha está em boas condições, mas será que devo levar esses rémedios para Vera Eunice?
[[Pegar]]
[[Não Pegar]]Decidi que seria melhor sair para catar papéis e juntar dinheiro necessário para o remédio. Estou com pressa, contudo se eu procurar com cuidado posso encontrar alguma coisa no lixo, ou nas ruas que me sirva de ajuda para a minha filha. Devo procurar rápido ou devagar?
[[Catar papel rápido]]
[[Catar papel normalmente]]Decidi catar papel normalmente. Repeti minha rota de coleta cotidiana, passando pelos becos e vielas da cidade. Perto de uma clínica, avisto um lixo e decido procurar papel dentro dele. Para a minha surpresa, havia uma caixinha de remédios e decido pegar a caixinha para olhar melhor.
[[Averiguar o remédio]]Decidi que catar papel rapidamente era a melhor escolha a se fazer, pois minha filha estava doente em casa. Terminei meu serviço mais cedo e voltei para casa para ver como ela estava. Consegui comprar uma pílula na farmácia e dei para Vera tomar. Com o passar dos dias, ela melhorou e ficou sadia novamente.
[[Diário: 10 de novembro]]Comemos a carne, e me deu uma dor de barriga logo depois. Sabia que havia algo de errado na comida, mas estavámos com muita fome. Fiquei com uma forte dor na barriga e as crianças enjoadas. Passamos o dia todo acamados.
[[Alguns dias depois...]]15 de Julho
Hoje é aniversário de Vera Eunice e lembro que ela comentou que queria muito um sapatinho novo, mas também gostaria de ter minha companhia neste dia especial. Porém, preciso sair para catar papel para trazer mantimentos para casa.
[[Passar página]]Carolina Maria de Jesus permaneceu na favela, onde compartilhava uma relação ambígua com seus vizinhos, mas havia uma exceção notável: Dona Maria Puerta, a quem ela tinha uma profunda admiração. Enquanto enfrentava as dificuldades e frustrações cotidianas, Carolina persistia em seu trabalho de catar papéis e sucatas, encontrando sustento e um propósito nessa atividade.
[[Introdução]]Decidi buscar apoio do tenente, confiando em sua experiência para lidar com a situação envolvendo meu filho. No entanto, fui surpreendida quando ele enviou dois meninos do reformatório para conversar comigo, em vez de oferecer a ajuda esperada. Agora, enfrento desafios e incertezas, buscando uma abordagem justa e equilibrada para resolver o problema. Fico diante da difícil decisão de conversar com os meninos ou enviá-lo diretamente ao reformatório.
[[Conversar com os meninos do Reformatório]]
[[Mandar para o reformatório]]Ao encontrar os dois meninos do reformatório enviados pelo tenente, tive uma conversa franca com eles, expressando minha preocupação sobre o incidente envolvendo meu filho e a filha da vizinha. ..
<img src="imagensfragmentos/04.png">
Diante dessa revelação, decidi não enviar meu filho para lá, pois não podia concordar com um ambiente tão prejudicial. Essa nova informação me levou a buscar alternativas para resolver o problema, garantindo a segurança do meu filho.
[[Diário Fevereiro de 1959]]16 de Julho
Como de costume, fiz minha rota passando pelo frigorífico, onde encontrei um português catando restos de carne no lixo. Conversei um pouco e ele me ofereceu uns pedaços de carne, dizendo:
<img src="imagensfragmentos/01.png">
[[Aceitar a carne do português]]
[[Negar a carne]]<img src="https://www.jornalspnorte.com.br/wp-content/uploads/2018/11/141118_carolina-maria-de-jesus-2.jpg">
[[fragmentos]]Enquanto eu estava envolvida em uma discussão acalorada com um dos meus vizinhos, acabei soltando uma frase impulsiva:
<img src="imagensfragmentos/05.png">
Logo em seguida, um homem bem vestido se aproximou e se apresentou como repórter. Ele fez algumas perguntas sobre o tal diário, leu alguns trechos e ao final, exibiu um sorriso intrigante, perguntando: "Você gostaria de ver seu diário publicado?"
[[Aceitar Proposta]]
[[Recusar proposta]]Catei algumas sucatas pela manhã e de tarde fui no depósito do senhor Manoel para vendê-lás. Fiquei a tarde toda conversando com ele. Como era bom passar o tempo na presença do Manoel, o homem mais gentil que eu tinha conhecido e sempre me tratava bem...
Decidi que era hora de ir embora, peguei os trocados e ia saindo quando seu Manoel, com o rosto corado, vira e me pergunta: "Quer casar comigo, Carolina?".
[[Aceitar ]]
[[Recusar]]Enquanto retornava do centro, fui surpreendida por um grito da vizinha mais conflituosa da favela. Ao me aproximar, <img src="imagensfragmentos/03.png"> . Nesse momento, me ocorreu a ideia de procurar um conhecido que é tenente, mas hesitei: deveria conversar com ele sobre o assunto ou tomar a decisão de manter meu filho em casa e protegê-lo? A incerteza e a preocupação pairavam sobre mim, exigindo uma reflexão cuidadosa antes de tomar qualquer ação
[[Conversar com o tenente]]
[[Esconder o filho]]3 de Agosto
Fiquei um tempo sem escrever, estava cuidando das atribulações da vida...
Hoje Vera Eunice acordou muito adoecida e fiquei presa em um dilema: saio para catar papel e assim conseguir comprar um remédio ou fico em casa e cuido dela?
[[Catar Papel]]
[[Ficar em Casa e cuidar da filha]]<img src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1200/1*eyY3w_h-hC2Y41nym3YZ3Q.jpeg">
[[Diário: 3 de Agosto]]<img src="https://miro.medium.com/v2/resize:fit:892/1*s4ctfozQNvpUToqZXnLYWQ.png"
>
[[Diário: 10 de novembro]]Apesar de todas as precauções tomadas para proteger meu filho, infelizmente, ele foi descoberto e linchado pelos membros da favela. Essa terrível tragédia abalou profundamente a mim. O sentimento de impotência e desespero tomou conta de mim, confrontando-me com a crueldade e a violência presentes em nosso entorno.
[[Introdução]]Decidi que a melhor coisa a se fazer é ficar em casa com minha filha. Seu Manoel sabendo que minha filha estava doente, trouxe-me remédios e com isso, Vera melhorou.
[[Diário: 10 de novembro]]Decidi que ficar em casa e passar esse dia especial com minha filha era o mais importante. Percebo que minha companhia a deixa feliz. No entanto, uma parte de mim diz que faltou algo. Fico triste em não poder dar o sapatinho que ela tanto queria.
Ao final do dia, ponho meus filhos na cama e vamos dormir.
[[Dia seguinte...]]A responsabilidade de cuidar da minha casa, dos meus outros filhos e, agora, também do meu filho no reformatório, tornou-se avassaladora. Lidar com tantas responsabilidades exigiu um esforço adicional e uma organização cuidadosa para garantir que cada um recebesse o apoio necessário em suas respectivas situações. Diante dessa sobrecarga, o peso das tarefas diárias me consumiu tanto que não consegui mais encontrar tempo ou energia para escrever em meu diário. A vida exigente e desafiadora tornou-se uma barreira para expressar meus pensamentos e sentimentos, deixando-me mergulhada em uma luta constante para enfrentar as demandas do dia a dia.
[[Introdução]]<img src="https://tribunademinas.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Carolina-de-Jesus-e-a-filha-na-favela-do-Caninde-em-abril-de-1961.-Acervo-Estadao.jpg">
[[Dia seguinte...]]<h1>:: Fragmentos da Realidade ::</h1>
''//Introdução//''
//Neste Livro-Jogo, você terá a oportunidade única de experimentar a vida de Carolina Maria de Jesus, uma mulher corajosa e destemida que enfrenta as agruras da pobreza em seu cotidiano. Prepare-se para embarcar em uma jornada profunda e emocionante através das páginas de "Quarto de Despejo: Fragmentos da Realidade".
Ao mergulhar nessa experiência interativa, você será confrontado(a) de frente com a dura realidade de um mundo muitas vezes negligenciado e marginalizado. Esteja preparado(a) para questionar suas próprias percepções, desafiar suas concepções prévias e abrir espaço para a empatia e a compaixão, elementos que são fundamentais para promover mudanças nessa narrativa.//
[[Começar a jornada!]]Cheguei em casa, peguei os sapatos, os lavei e os remendei. Quando Vera Eunice me viu sair do meu quarto com os sapatos rosas na mão, se animou e correu em minha direção e pulou em meus braços. Disse que sentiu a minha falta, mas ficou feliz com os sapatinhos novos. Pus ela no chão e ela começou a desfilar com os seus sapatos rosas. Fiquei feliz quando a vi desfilando. Fiz o jantar e dei para os filhos. Fomos dormir sem fome e felizes.
[[Fui dormir]]Chegando em casa, peguei um copo de água e dei o remédio para minha filha tomar. Fiquei aguardando alguns minutos, mas nada de fazer efeito.
[[Alguns dias depois..]]"Portugês morre de intoxicação alimentar por conta de carne envenenada!".
Fico aliviada de não ter dado aos meus filhos, mas fico triste pelo pobre português que morreu por não ter o que comer em casa e teve que comer coisas do lixo.
[[Diário: Agosto de 58]]Após considerar todas as opções, tomei a difícil decisão de enviar meu filho para o reformatório. Enquanto ele estava lá, minha angústia e preocupação aumentavam, consciente dos desafios e dificuldades que ele enfrentaria naquele ambiente restritivo.
[[Final na favela]]Observei o pedaço de carne, apesar da boa aparência senti um cheiro estranho e por isso resolvi negar. Agradeci e segui meu caminho.
[[Diário: 3 de Agosto]]Decidi jogar fora e por na mesa somente o feijão.
No dia seguinte minha vizinha veio me mostra o jornal. Fiquei horrorizada quandi vi a notícia...
[[Ler notícia]]Pensei nas consequências que poderiam ocorrer com minha filha caso esse remédio não fosse o ideal para ela. Nisso conclui que não seria uma boa ideia pegar a caixinha.
[[Diário: Novembro de 1958]]Levanto da cama e reflito por um tempo o que devo fazer. Saio para catar papel ou fico em casa e lhe faço companhia?
[[Sair pra catar papel]]
[[Ficar em casa]]Acabei decidindo que a melhor coisa a se fazer era pegar a caixinha de remédio e dar para minha filha na esperança de faze-lá se sentir melhor.
[[Ir para casa e dar o remédio para Vera]]Eu recuso o pedido. <img src="imagensfragmentos/02.png"> , pensei comigo.
Disse para ele não me perguntar novamente. Agradeci os trocados e fui para a minha casa.
[[Diário: 18 de novembro de 1958]]Optei por recusar a proposta, embora tenha sido tentador. Lembrei-me do ditado sábio que diz: "Nada de valor vem de graça". Reconheci que os desafios e esforços necessários para conquistar algo significativo são parte essencial do caminho para o sucesso. Assim, decidi buscar uma trajetória que me permita construir uma base sólida e duradoura, mesmo que exija mais tempo e esforço.
[[Continuar na favela]]Saio para catar papéis e fico satisfeita de ver que as ruas estão cheias dele. Enquanto catava os papéis, encontrei jogado em um canto um sapatinho cor de rosa. Lembrei do pedido de minha filha e o guardei no saco.
Nesse momento vejo que minha decisão de sair foi apropiada. Consegui o suficiente para poder comprar alguns mantimentos e achei o presente para dar a minha filha.
[[Ir para casa]]Carolina Maria de Jesus viu seu livro ser publicado, alcançando um sucesso mundial. Ela conseguiu escapar do "Quarto de Despejo" e finalmente realizar o tão acalentado sonho de ter uma casa de alvenaria. Carolina faleceu em 1977, aos 62 anos, mas seu legado como escritora e símbolo de superação continua a inspirar pessoas ao redor do mundo.
[[Introdução]]<img src="https://imagens.ebc.com.br/g0pk8Yj8Ta0sPq6UGSlaRbHuR0I=/1170x700/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/atoms/image/carolina_maria.jpg?itok=PYlr_tnp">
[[Vida após a publicação do diário]]